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Pênis, a grande preocupação masculina

Desde que o menininho descobre a pequena protuberância em suas partes baixas, que ela passa a ser um ponto de manipulação. É amor à primeira sensação e este amor não acaba mais. Várias decisões são tomadas pelo homem tendo em vista a necessidade de manter seu pênis, digamos, “satisfeito”. É como se realmente houvesse cérebro na cabeça do pênis, e o homem se deixasse direcionar por ele.

Mas a protuberância é apenas um órgão e pode ser afetado por todo tipo de doenças: inflamatórias, infecciosas, traumáticas, tumorais, congênitas e hereditárias; gerando alterações estruturais ou funcionais, as quais podem ocasionar dificuldades em suas funções normais de urinar e manter relações sexuais. Por outro lado, muitas doenças que comprometem o pênis têm também importantes e, às vezes, graves repercussões gerais.

Principais doenças do pênis:

  1. Fimose: diz que há fimose quando o prepúcio (uma dobra de pele e membrana mucosa retrátil que cobre a extremidade do pênis) não pode ser completamente retraído para expor totalmente a glande (”cabeça” do pênis). O prepúcio normal geralmente recobre a glande quando o pênis está flácido e se retrai quando ele está ereto, deixando a glande à mostra. A dificuldade em expor a glande ocorre quando o prepúcio possui uma abertura muito pequena para a passagem da glande. No bebê, existe naturalmente uma aderência do prepúcio à glande (fimose fisiológica), a qual desaparece na grande maioria dos meninos até os três anos de idade. Incidentalmente, chama-se parafimose à situação em que a glande é exposta apesar da dificuldade, mas não consegue novamente ser recolhida, causando um estrangulamento dela, impedindo o fluxo venoso e linfático ou a higiene adequada. Devemos lembrar que a circuncisão (remoção cirúrgica da prega de pele que envolve a glande), prática usada para corrigir a fimose, tem implicações culturais e religiosas importantes e existe há mais de cinco mil anos, tendo um aspecto ritual entre egípcios, gregos e hebreus.

  2. Balanopostite: na balanopostite um fungo ou uma bactéria que estejam vivendo debaixo do prepúcio causa uma inflamação na cabeça do pênis e no prepúcio. Esta inflamação geralmente ocorre em um pênis não circuncisado e provoca dor, vermelhidão e edema e pode levar a uma constrição da uretra e dificuldade para urinar. A balanopostite, quando duradoura, predispõe a outras doenças, inclusive ao câncer.

  3. Disfunção erétil: a disfunção erétil, popularmente chamada impotência sexual, é uma disfunção em que o homem não consegue sustentar uma ereção do pênis que lhe permita manter uma relação sexual normal. A disfunção erétil pode ter várias causas, orgânicas ou psicológicas e é acentuada pelo fumo, álcool, colesterol elevado, certos medicamentos, hipertensão arterial e diabetes mellitus. O tratamento da disfunção erétil depende da sua causa, mas vai desde a psicoterapia até a prótese peniana, passando pelas medicações.

  4. Tumores no pênis: o câncer do pênis não é comum, mas existe. Embora raro, ele é mais comum nos homens não circuncisados. A parte do pênis mais frequentemente afetada é a base da sua cabeça. O sinal inicial costuma ser uma ferida avermelhada e indolor. Habitualmente, é um carcinoma de células escamosas. Quando detectado no início, pode ser extirpado preservando-se ao máximo o tecido peniano.

  5. Mal de Peyronie ou Doença de Peyronie: é um distúrbio caracterizado pelo surgimento de placas fibrosas no tecido conjuntivo do pênis, causando nele, quando em ereção, uma curvatura anormal. Ocorre uma perda da capacidade de se distender um lado do pênis, encurtando-o naquele lado e provocando o desvio. A princípio a doença pode causar dor, a qual se alivia à medida que a condição se torna crônica. Nos estágios mais avançados da doença pode haver disfunção erétil. Diversos homens com esse problema exibem também doenças do tecido conjuntivo em outras partes do corpo, mormente nas mãos e pés. O único tratamento existente é a cirurgia.

  6. Doenças sexualmente transmissíveis: embora muitas das principais repercussões das doenças sexualmente transmissíveis sejam sistêmicas, algumas delas deixam lesões localizadas no pênis. A infecção pela clamídia, conhecida como Chlamydia trachomatis, causa uretrite (inflamação da uretra), sensação de ardor ao urinar, coceira no pênis e dor nos testículos. A gonorreia, causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, se caracteriza por um corrimento uretral amarelado, queimação e ardor ao urinar. O herpes genital acomete a pele e as mucosas do pênis. No começo, a pele mostrará um aumento de sensibilidade, formigamento, queimação e dor. A seguir, a área torna-se avermelhada e aparecem vesículas que contêm um líquido branco-amarelado. A ruptura dessas vesículas gera úlceras, sobre as quais posteriormente se formam crostas. O herpes propaga-se por meio de contato físico e sexual. As verrugas genitais (ou condilomas acuminados) são causadas pelo vírus do papiloma humano (HPV). Elas são muito contagiosas e a melhor maneira de se proteger contra elas é usar camisinha durante as relações sexuais. Podem ser tratadas com podofilina, aplicada localmente, com crioterapia (eliminação das verrugas por congelamento) ou excisão cirúrgica. A sífilis, no passado, chegou a ser um flagelo quase comparável ao que hoje é a AIDS. Ela é causada pela bactéria Treponema pallidum que, além de lesões locais no pênis, pode afetar órgãos vitais como o coração, vasos sanguíneos, cérebro ou medula espinhal, em alguns casos dando manifestações graves, anos depois da infecção inicial. As manifestações penianas da sífilis são aparentemente simples e constam de feridas vermelhas que se curam sem tratamento, dentro de uma semana. No entanto, a doença continua seu curso, às vezes grave.

  7. Anomalias congênitas, genéticas ou hereditárias: em alguns casos pode ocorrer uma ambiguidade genital externa e os órgãos sexuais podem ter características anatômicas dos dois sexos, de tal forma que não permitem definir com segurança sua natureza masculina ou feminina. A Síndrome de Klinefelter é um transtorno cromossômico que afeta apenas os meninos e que ocasiona várias repercussões sistêmicas importantes, mas no que se refere ao pênis o torna marcadamente pequeno (micropênis). A hipospádia é uma malformação congênita caracterizada pela abertura anormal do orifício por onde sai a urina, na parte de baixo do pênis. Chama-se epispádia quando essa abertura se dá no dorso do pênis. Durante o desenvolvimento embriológico ocorre uma fusão incompleta das pregas uretrais, dando origem a uma abertura anormal da uretra. Outra anomalia é a estenose congênita do meato uretral, que também pode ocorrer, às vezes gerando retenção e patologias urinárias consequentes. Existe também uma curiosa síndrome de duplicação do pênis, em que o indivíduo pode nascer com dois pênis.

    Disfunção Erétil:

    Em medicina, disfunção erétil é definida como “falta de habilidade masculina para obter ou manter ereção suficiente para o intercurso sexual”. A ereção do pênis requer funcionamento orquestrado dos sistemas vascular, nervoso e hormonal. A mensagem do estímulo sexual disparada pelo cérebro é transmitida através da medula espinal, até as terminações nervosas que chegam aos corpos cavernosos — estruturas de consistência esponjosa que ao se encher de sangue provocam a ereção do pênis. Quando recebem a mensagem, as células do endotélio (camada que reveste a parede interna das artérias) das artérias penianas liberam neurotransmissores, que vão relaxar a musculatura lisa dos vasos sanguíneos que nutrem os corpos cavernosos, facilitando seu enchimento.O principal desses neurotransmissores é o óxido nítrico. O acúmulo dessa substância facilita o relaxamento das trabéculas que constituem o corpo cavernoso, para aumentar o fluxo de entrada do sangue. A maior parte dos medicamentos usados para tratamento das disfunções eréteis, exerce sua ação ao aumentar as concentrações desse neurotransmissor nos vasos do pênis.

    Como os homens não gostam de admitir que sofrem de disfunção erétil, nem sempre é fácil estimar a prevalência do problema. Num dos estudos mais respeitados sobre o tema, o Massachusetts Male Aging Study , realizado com 1290 homens entre 40 e 70 anos, foi demonstrado que 52% deles apresentavam certo grau de disfunção e que 10% tinham total ausência de ereção.

    As disfunções eréteis podem ser classificadas como psicogênicas, orgânicas ou mistas. As de causa orgânica podem ser de origem vascular, neurogênica, hormonal, induzida por drogas ou estar associadas a alterações anatômicas dos corpos cavernosos.

    Ao contrário do que muitos imaginam, as causas orgânicas são as mais comuns: constituem cerca de 80% dos casos. As principais delas são as causas vasculares:

    1) Aterosclerose: É a mais comum de todas as causas. No mecanismo de formação das placas de aterosclerose ocorre agressão ao endotélio com consequente diminuição do diâmetro interno do vaso e dificuldade para manter o fluxo sangüíneo. O envelhecimento do endotélio também altera os níveis de óxido nítrico, prejudicando a entrada de sangue nos corpos cavernosos.

    2) Cigarro: Fumar durante muitos anos é um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de disfunção erétil de causa vascular. As substâncias tóxicas presentes no cigarro provocam danos no endotélio e diminuem os níveis de óxido nítrico no pênis. Além disso, a própria nicotina provoca contração da musculatura lisa dos vasos que irrigam os corpos cavernosos, reduzindo o aporte sangüíneo para o local.

    3) Diabetes: No Massachusetts Male Aging Study , 28% dos diabéticos apresentavam disfunções eréteis, contra 9,6% dos não-diabéticos (prevalência três vezes maior). As causas estão ligadas à aterosclerose mais acelerada, às alterações nos tecidos dos corpos cavernosos e à neuropatia diabética.

    4) Hipertensão arterial: É causa importante de disfunção erétil como deixou claro o estudo americano já citado. Seria ela provocada pela própria hipertensão ou estaria relacionada com a medicação anti-hipertensiva? Essa polêmica foi esclarecida por um estudo recente: tanto os medicamentos quanto a própria hipertensão podem ser responsabilizados pelas dificuldades de ereção.

    5) Hiperlipidemia: A presença de altos níveis sanguíneos de LDL-colesterol, triglicérides e fibrinogênio estão associados à disfunção erétil tanto em fumantes como em não-fumantes.

    A enumeração dos fatores acima mostra que disfunção erétil e doenças cardiovasculares compartilham fatores de risco semelhantes. Dificuldade de ereção pode constituir o primeiro sintoma de doença coronariana, uma vez que ambas estão ligadas a comprometimento do endotélio, estrutura essencial para a regulação das funções circulatórias.

    Uma vez que os fatores de risco citados agem de forma sinergística sobre o endotélio vascular, a extensão e a gravidade do acometimento cardiovascular costuma ser proporcional ao grau de dificuldade de ereção.

    Resta apenas dizer que a mamãe estava certa quando na infância advertia ao menininho: “ Não coloque a mãozinha suja no pipi, senão ele adoece e cai”. E ainda está valendo: o conselho: Olhe bem como trata seu pênis, a saúde dele depende de onde e de como você o coloca.

Atenção: Qualquer produto citado neste post não é um medicamento e não substitui o tratamento médico. Terapias citadas neste post não substituem a visita ao seu médico regularmente.

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