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Filhos: Bater ou não bater? Eis a questão…

Alguns podem até pensar que este texto nada tem a ver com saúde. Mas tem sim! Ele, em suas entrelinhas, fala sobre a saúde mental, familiar e social. Estamos precisando refletir muito, pois em tempo algum nunca se viu tantas coisas erradas praticadas por gente tão jovem. Nunca se viu tantos jovens drogados, tanta prostituição infantil e adolescente em busca de dinheiro “fácil” para fazer frente ao consumismo. Nunca se viu tantos pais, avós e tios sendo espancados por jovens, querendo o dinheiro da aposentadoria deles para comprar drogas. Não têm mais amor pelos parentes, não pensam que o pouco que ganham mal dá para o feijão e pão de cada dia.

Nunca se viu tantas crianças e jovens nas ruas, tranformados em filhos de ninguém. Quem se atreve a chamar um deles para ir morar em sua casa, receber lá orientação, comida, amizade e amor? Quem?

Aí eu me lembro de várias passagens bíblicas e uma delas, em Provérbios 23:13 exorta: “Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá”.

Minha mãe pouco bateu nos filhos. Ela ficava deitada conosco, numa cama de casal cabíamos todos bem juntinhos, e ela contava histórias, comentava passagens da biblia, falava de coisas do passado, ríamos muito com ela. Mas lembro-me claramente da última surra que levei de minha mãe. Ela estava realmente furiosa. Eu havia aprontado de maneira imperdoável. Ela falou tudo que eu precisava ouvir e aí, com o dedo em riste disse: Você vai apanhar agora, não só pelo que fez, mas para que antes de fazer alguma coisa errada possa se lembrar de que eu ainda estou aqui para lhe dar uma boa surra. E me bateu, bateu como eu merecia apanhar. Mas o resultado é que daquele dia em diante eu me tornei uma adolescente melhor. Fazia voltas, mas cortava o caminho que levava à pratica de coisas ruins. Quando a tentação aparecia, lembrava do peso da mão de minha mãe. Foi a melhor coisa que ela pôde fazer por mim. Agradeço cada uma das cintadas, cada marca que deixou em meu corpo limpou minha alma, conduziu-me ao caminho da verdade, da honradez, da decencia.

Lembro-me também da última surra QUE NÃO DEI em meu filho caçula, com cinco anos. Ele aprontou muito. Depois de conversar a respeito, passamos para a fase da negociação. Eu achava que ele merecia dez cintadas e ele dizia que três estava de bom tamanho. Fechamos em seis e ele foi para o quarto se preparar. Demorou tanto que eu esqueci que devia dar as seis cintadas. Quando ele chamou de lá: Mãe! Estou pronto! Eu franzi a testa, tentando lembrar para que ele estava pronto. Aí meu filho mais velho disse: Mãe, ele tem que apanhar.

Fui para o quarto e lá estava Erick. Deitado com a bundinha transformada em bundona, pois vestiu todas as cuecas que tinha, vestiu as dos irmãos e ainda colocou algumas do pai, que dobradas aumentou ainda mais o bumbum. Ri tanto que perdi as forças quando ele me olhou com os olhos marejados de lágrimas e um largo sorriso. Não bati. Mas fiquei feliz por constatar a confiança dele em minha maneira especial de bater: Ele só protegeu a bundinha, pois sabia que eu jamis bateria em outro lugar. Deixei bem claro que estava perdoando só aquela vez. E sabe o que foi bom? Nunca mais precisei bater nele.

A lei contra castigos físicos aprovada pela Câmara dos Deputados tem provocado um intenso debate em muitos setores da sociedade. De maneira muito especial, pois a lei estaria indo de encontro à orientação biblica no que se refere à educação infantil.

Os principais argumentos utilizados por alguns cristãos e líderes religiosos estão baseados principalmente em textos do Antigo Testamento, em especial o livro de Provérbios, que cita várias vezes o uso da “vara” como medida educativa, dando a entender que bater nos filhos tem o aval divino.

Neste momento as relações familiares e sociais não são mais estabelecidas a partir do uso da vara, mas dizem que devem ser estabelecidas por um referencial de amor e respeito mútuo. Não se fala mais em “vara da disciplina”, mas na disciplina do amor.

Citando novamente a palavra, em (Efésios 4:4) diz: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” , mas para isso, o Senhor tem que reinar no lar.

“Disciplina” não é sinônimo de “punição física”. Há muitas maneiras de se disciplinar uma criança sem erguer uma vara, um chinelo ou a mão sobre ela. “Dar limites” não é sinônimo de “bater”.

Negar-se a usar a política da palmada não é de maneira alguma negar-se a educar, a disciplinar ou a impor limites tão necessários na formação da criança. Nem tampouco é colocar em risco a posição de autoridade parental. É, ao contrário, a tentativa de constituir uma configuração relacional que seja diferente do modo vigente em nosso mundo já tão repleto de maus tratos, opressão e injustiça. É principalmente uma forma de “não se conformar com este século, mas transformar-se pela renovação da nossa mente” (Romanos 12:2).

É fácil? Não, não é nada fácil educar sem usar uma boa varinha de marmelo. O que vemos hoje, como resultado da lei contra punição física de nossos filhos é um horror. As crianças parecem que vem ao mundo com uma só página de Manual de Instruções onde está grafado em letras descomunais: PAIS QUE BATEREM EM FILHOS VÃO PRESOS.E é o que a maioria deles, desde bem pequenos já dizem aos pais quando ameaçados de uma boa surra.

O que temos visto por aí, depois da lei contra punição física? Crianças sem o mínimo de educação para a vida em sociedade. adolescentes abusivos, maus, sem limite algum, sem educação e sem controle. Para alguns bater nos mais fracos, malcuidar animais, botar fogo em índios e mendigos é coisa banal.

O índice de morte prematura de jovens é alarmante. A maioria deles está desenfreada, corre livre e solta pelos caminhos onde reina a maldade, a mentira, caminhos do desamor, das drogas… E isso acaba fatalmente, nas avenidas, nas estradas, nos becos, nos lixões, nas bocas de fumo, nas calçadas.

Bater para corrigir os filhos, usando uma boa varinha de marmelo, uma chinelo de couro, um cinto velho, tirava no passado a juventude das ruas, do crime, da prostituição, das drogas das FEBENS, das penitenciárias e das mortes.

Hoje, o caminho da correção não pode mais ter o apoio do velho cinto atrás da porta. O medo de apanhar em casa não faz mais a criança se comportar bem na rua. Hoje quem bate está nas ruas, são os “amigos”, a polícia, os marginais que encontram em caminhos por onde nossas crianças e adolescentes não deveriam transitar.

Certamente o caminho alternativo do amor é muito mais difícil, exige dos pais muito mais tempo, paciência, sabedoria, auto-controle, e especialmente o exercício de seus próprios limites para não “perder as estribeiras”. E cá para nós… Não está dando certo.

Vemos a violência crescendo a níveis incríveis entre as crianças e os jovens. Está fazendo falta uma boa conversa antes de uma bela surra. Se deixarmos assim como está, ser um menino bom, um jovem estudioso e bem educado será tido dentro de pouquíssimo tempo como algo a que não se pode nem sonhar que os nossos filhos venham a se transformar.

E a frase que diz que as crianças são o futuro do país? Que futuro será este, se o presente já nos horroriza?.

Que Deus nos ajude a sermos pais, avós, tios, educadores que vivam sob a Graça de Deus. Que Deus nos ajude para que as leis sejam condizentes com a necessidade de formarmos nossos filhos, sobrinhos e netos em cidadãos de primeira classe e não nestes protótipos de problemas variados que estamos encontrando nas ruas.

Prov. 10:17. … “O pai que poupa a vara odeia a seu filho, mas o que o ama, a seu tempo o disciplina.

Que coisa terrível é ver filhos sendo criados sem freio, sem medida nenhuma do que pode e do que não lhes é permitido fazer. Na palavra diz: “Ensina ao menino o caminho que deve seguir para que mais tarde não se desvie dele”. Abençoadas as mãos que esquentam o bumbum das crianças levadas. Mais tarde elas agradecerão por isso, como eu agradeço à minha mãe e meus filhos a mim.

Já estou cuidando da educação de meu netinho. Durante este ano de 2004 comecei a comprar carrinhos, daqueles de ferro da Hot Wills (se é que escrevi certo). Todas as terças e sábados é dia dele reinar em minha casa. Já chegava perguntando; “Vavó” compô carrinho? E eu ria e mostrava a ele. Observávamos juntos as diferenças, um carro era em formato de rato, outro quando molhado em água gelada mudava de cor e assim eu ia comprando diferentes carrinhos. No início, foi difícil para ele entender que os carrinhos eram meus e que tinham que ficar em minha casa. E também foi difícil ensinar que não podia deixar cair, para não “quebrar a biqueira”, sei lá o que era, mas inventei este nome e ele aprendeu a não bater e nem a deixar cair para não quebrar a biqueira. Chorava na hora de ir embora e não adiantava nada, eu dizia que eram da vavó.

Com o passar dos meses, ele foi se acostumando e na hora de ir para casa, ele pegava os dele e dizia, esses são seus né vavó? E eu dizia que sim e arrumava os meus numa caixa grande, toda dividida onde caberiam 40 carrinhos. No princípio de setembro completei a caixa e comprei um carrinho bem maior. Foi o encanto dele, abria as portinhas, levantava os bancos, abria o porta malas e o capô. Ele só podia brincar sem bater, para não arranhar e nem quebrar a biqueira.

No dia 23 de setembro ele saiu de casa todo feliz, arrastando uma sacola enorme, com a caixa de carrinhos. Eu disse a ele na hora dele ir embora que a caixa com todos os carirnhos era meu presente de aniversário para ele, que faria 3 anos no dia 27 de setembro. O bichinho batia no peito e dizia: “É tudo meu vavó? Tudo meu?” E eu ria e dizia é tudo seu, mas cuide direitinho para não quebrar as biqueiras… Fiquei com o carrinho maior. Ele vem, brinca, limpa e guarda, pois não é dele, é da vavó.

Sei que ensinei meu netinho a não querer nada que não seja dele. Ensinei também a só trazer carrinhos para minha casa, pois quando ele chega estão à espera dele. Ninguém fica com o que é dele. Não leva para a escola e nem para a igreja. Quando sai com um deles, deixa na cadeirinha, no carro do papai.

Educar é doloroso, faz o coração da gente doer. Mas é preciso. Quando ele vai nas festinhas, brinca e entrega nas mãos do dono os brinquedos. Quando gosta muito, me diz: sou menino bonzinho né vavó? Você compa um desse pa mim? Aí me olha daquele jeito amooroso e pidão e eu digo: “Vou colocar na programação”.

Quem tiver idéias boas para ajudar a educar esses miudinhos, pode mandar que eu adiciono. Um abraço e saúde. Malva Gomes

Malva Gomes dos Santos
Terapeuta e Iridóloga

Atenção: Qualquer produto citado neste post não é um medicamento e não substitui o tratamento médico. Terapias citadas neste post não substituem a visita ao seu médico regularmente.

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